Regina Silveira assina joia para a Talento

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Em uma rua tranquila no bairro do Sumaré, em São Paulo, um pequeno portão passa quase despercebido entre as casas geminadas da região. É lá que estão a residência e o ateliê da gaúcha Regina Silveira, 78 anos.

Mas não espere encontrar telas e tintas espalhadas pelo ambiente, apesar de a artista ter começado sua carreira justamente como pintora, no início dos anos 60. Em vez disso, o iluminado espaço abriga computadores com programas novíssimos.

A sensação de surpresa talvez aconteça por sua geração de criativos ter seguido atuando em técnicas mais tradicionais, como a pintura e a escultura. “Não se ensinava gravura na minha época, porque essa era considerada uma arte menor”, conta ela.

O espírito avant-garde levou-a a buscar a independência financeira e ideológica por meio da arte, apesar de ter nascido em uma família de médicos. Logo rompeu com a pintura, mostrando ao mundo criações tecnológicas e questionadoras.

O turning point aconteceu na temporada em que esteve em Madri, em 1967, durante a qual estudou história da arte no Instituto de Cultura Hispânica. Lá conheceu o futuro marido, o artista espanhol Julio Plaza (1938-2003), e, influenciada por ele, desenvolveu o interesse por novos meios, como a arte gráfica e a video arte.

Apartir de então, voltou-se somente para eles, lançando, em 1971, a obra Labirintos, composta por 15 circuitos feitos em papel – tema que permearia sua obra até os dias de hoje.

Foi essa primeira série que inspirou o bracelete que a joalheria mineira Talento lança em agosto em parceria com a artista. A joia simula um labirinto, com pedras de lápis-lazúli e coral cabuchão fazendo as vezes de pessoas que transitam pelos caminhos da peça feita em três versões (ouro branco, amarelo e negro).

Para dar cara à coleção, a joalheria escolheu a galerista Julia Brito, filha de Luciana Brito e diretora do espaço da mãe, que representa Regina há quase duas décadas. É na galeria, em São Paulo, que a joia será lançada neste sábado (19.08), ao lado de um livro sobre os bastidores da parceria.

“Conheço Regina desde que sou pequena, pois ela sempre frequentou a casa da minha mãe”, conta Julia. “Ela nasceu em meio à arte e tem uma ligação especial com Regina. Nada mais natural que ela fosse a personificação do segundo capítulo dessa história”, completa Jacques Rodrigues Jr., filho da fundadora, Terezinha, e diretor da Talento.

A peça faz parte do projeto Joia de Artista, que teve início no ano passado com a reedição do único colar criado em vida pela arquiteta modernista ítalo-brasileira Lina BoBardi, em 1947. “Quando vi a obra Derrapagens (2004/07), de Regina, enxerguei, em rastros de pneus imaginários, brincos e colares. Foi aí que a convidei para o projeto”, diz Jacques.

A instalação, em questão, foi apresentada durante a SP – Arte de 2014 e acabou desdobrando-se, na época, em uma coleção de joalheria têxtil recortada a laser. Chamada Roller, a linha de colares e echarpes foi desenvolvida por Regina em parceria com a artista Renata Meirelles e vendida na loja da Uma, de Raquel Davidowicz.

A luz, e sua ausência, são importantes instrumentos no trabalho de Regina. Tomaram força a partir dos anos 80 com a série Enigmas, em que a artista cobriu a imagem de objetos com sombras de outros. Fotogramas do conjunto foram adquiridos pelo MoMA – hoje, suas obras também integram coleções de instituições como a Foundation for Contemporary Arts, de Nova York, e o Masp.

A investigação da artista em diversos suportes trouxe a ela um domínio por produções em larga escala. Um dos pontos altos foi em 2014 com a criação da obra Tramazul, na qual cobriu as fachadas do Masp, na Avenida Paulista, com representações de nuvens. “É essa desenvoltura em inúmeras plataformas que faz de Regina o nome ideal para um projeto como esse”, diz Jacques.

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