Cinema: O Jogo da Imitação

“Às vezes, as pessoas que menos esperamos fazem as coisas mais inacreditáveis”. A fala é da personagem Joan Clarke, vivida por Keyra Knightley no longa “O Jogo da Imitação”, um retrato sobre a vida de Alan Turing, o pai da inteligência artificial.

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Em meio aos horrores da marcha nazista sobre a Europa, o governo britânico convoca um time com os melhores matemáticos do país para desvendar a máquina “Enigma”, que criptografava as mensagens do exército alemão durante a guerra. Entre os eleitos, está Alan, um jovem gênio com grandes segredos e transtornos sociais. É dele a ideia de construir uma máquina para desvendar os códigos do exército de Hitler. A trama se desenvolve mostrando a invenção do primeiro computador enquanto o protagonista tem que lutar contra seus próprios demônios.

Benedict Cumberbatch nos anos finais de Alan Turing: performance impecável.
Benedict Cumberbatch nos anos finais de Alan Turing: performance impecável.

Mais do que mostrar a genialidade da invenção desses cientistas, a película traz questões humanas pra lá de pertinentes: homossexualidade, injustiça, machismo e bullyng.

Turing era homossexual e isso era crime no Reino Unido até (pasme) 1967. E assim como Oscar Wilde e outras mentes brilhantes, foi chantageado, oprimido e formalmente condenado por isso.

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Joan Clarke, a única mulher a integrar o projeto representa tem que lutar contra a ideia de que mulheres não combinam com o território das ciências exatas, um preconceito que existe ainda nos dias atuais. Ela tem que driblar a descrença de todos e até mentir para a própria família para se unir ao grupo.

Keyra Knightley como a matemática Joan Clarke (que realmente existiu)
Keyra Knightley como a matemática Joan Clarke (que realmente existiu)

Embora foque no período da Segunda Guerra, o filme traz recortes da infância de Turing e de sua condenação. Durante seus anos em um colégio interno, Alan sofreu violência e perseguição maciça dos colegas, construindo sua personalidade tímida e fria.

Como gordos (também uma minoria), nós sabemos bem o quanto cada brincadeira, cada crueldade pode marcar e destruir nossa confiança por toda a vida. E ver que um grupo de desajustados, renegados podem sim, criar algo relevante e simplesmente inacreditável é INSPIRADOR.

O Jogo da Imitação
Direção: Morten Tyldum
Duração: 114 minutos
Recomendação: 12 anos
País/Ano: Inglaterra/EUA/2014

 

 

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