Algumas regras e dicas para armazenar e apreciar um bom vinho

VINHO

Nosso espaço “Kauê For Man” dessa semana dará algumas dicas para você impressionar na hora da escolha do vinho, saiba como pedir, degustar e armazená-lo.

Você tem medo de escolher um vinho?

Bem, o vinho, assim como a crase, não foi criado para humilhar ninguém. Mas muita gente sofre um pouco na hora de escolher qual garrafa vai levar para casa. “Eu não entendo de vinho” é frase mais comum de se ouvir. Como se fosse preciso algum conhecimento prévio para agradar o próprio paladar. O medo do consumidor diante da prateleira, ou da carta de vinho de um restaurante, lembra o temor do goleiro durante o pênalti.

Compreensível. São mais de 20.000 rótulos espalhados pelos pontos de venda e cartas às vezes extensas ou mal elaboradas. Ou seja, o sujeito tem pavor de levar uma bola entre as pernas e jogar dinheiro fora. Para evitar este desconforto, um conjunto de dicas vai ajudá-lo na hora de escolher e comprar sua garrafa.

No restaurante. 

Confie no sommelier: ele é seu aliado. Em geral ele elaborou a carta e/ou tem conhecimento sobre a melhor combinação com a comida da casa. Seja claro sobre quanto quer gastar (lembre-se que os preços ali são mais altos mesmo) e o tipo de vinho que mais lhe agrada. Não se acanhe de pedir o rótulo mais barato da lista, muitos consumidores, evitando demonstrar falta de afinidade com o tema, acabam optando pelo segundo vinho da lista, que nem sempre entrega mais qualidade, mas obviamente será mais caro.

Nas lojas. 

Prefira as casas especializadas ou importadoras. As chances de o vinho ser melhor tratado ali é maior – eles vivem disso. Os catálogos das importadoras são uma ótima fonte de pesquisa sobre a origem e as características do produto. Alguns são tão bons e completos que valem como leitura. Claro que no texto todos os vinhos são excepcionais; alivie os elogios exagerados e fique na essência da informação Esteja aberto a sugestões dos vendedores das lojas, e crie uma relação de confiança com estes profissionais que entendem do riscado e podem ajudar muito na escolha. No geral eles preferem conquistar um consumidor com sugestões viáveis ao bolso do que empurrar um tinto ou branco encalhado no fundo da loja e perder a confiança de um potencial cliente.

Na internet.

O comércio eletrônico já é realidade. Faz tempo. Transforme a tecnologia em uma aliada. Toda loja importante tem sua divisão de e-commerce. Praticamente todo rótulo tem uma resenha escrita na web. É uma espécie de catálogo digital, onde se pode pesquisar pelo produto, região, uva, safra e até pontuação da crítica, para quem acha isso um fator importante na hora da compra. Nem sempre é.

Ajuda dos amigos. 

A propaganda boca a boca é uma forma desinteressada de trocar experiências. Os amigos podem dar boas dicas, seja na mesa do restaurante, no escritório e principalmente nas redes sociais – para onde a conversa fiada foi transferida. A discussão rola solta nos fóruns, twitters e facebooks da vida. Curtiu um vinho? Fotografe o rótulo (se não você vai esquecer) arquive a imagem e compartilhe com os colegas. Fica mais fácil repetir um pedido, provar uma recomendação, além de ser divertido.

Aposte na certeza. 

Se você está no começo desta jornada, não se arrisque: na dúvida, escolha um vinho pelas uvas mais conhecidas de cada país ou região. Malbec na Argentina, cabernet sauvignon no Chile, sangiovese na Itália, um corte bordalês (cabernet franc, cabernet sauvignon e merlot) na França, tempranillo na Espanha, touriga nacional em Portugal, riesling na Alemanha, sauvigon blanc na Nova Zelândia e espumantes no Brasil (se quiser um tinto, arrisque um merlot). Com tempo você deve se aventurar, apostar na variedade e mudar seu padrão de escolha, arriscando um torrontés argentino, um shiraz chileno, um pinot noir francês, um antão vaz lusitano, um mencia espanhol, um nebiolo italiano, os vinhos de corte (mistura de várias uvas) e por aí vai. As escolhas são infinitas.

Cuidados na hora da compra

Alguns cuidados evitam levar gato por lebre. “Xixi de gato” rs, afinal, só é do jogo no aroma de algum sauvignon blanc mais bacana da França (alguém aí torceu o nariz?)  Siga então estas regras para se dar bem:

– Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento.

– Se puder, escolha as garrafas que estejam deitadas, nelas o líquido está em contato com a rolha.

– Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada.

– Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema.

– Fique atento às safras. Tintos mais básicos, assim como os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos.

Outros cuidados

  • Como o vinho deve ser guardado em casa.
    Qualquer garrafa de vinho deve ser guardada num local que cumpra os seguintes quatro requisitos: garrafas deitadas; local com uma temperatura entre os 12 e os 14º C; humidade entre os 70 e os 80% ; e ao abrigo da luz. Como é quase utópico conseguir estes valores em casa, recomenda-se a aquisição de uma adega.
  • Copo indicado para cada tipo de vinho.
    O mais importante é que seja sempre de vidro incolor, espessura fina e sem gravações ou pinturas. O cálice deve ter sempre o formato de tulipa: diâmetro da boca inferior ao do corpo. Para vinhos mais leves (branco e rose) copos de cálice mais estreito, para vinhos mais encorpados, copos com cálice mais largo. espumantes sempre no copo flute. Os vinhos do Porto já têm copos oficiais.
  • Idade não significa qualidade
    Quanto mais velho, melhor o vinho. Certo? Não necessariamente. Um vinho ruim pode ficar décadas oxigenando em barris de carvalho e continuará ruim. Quanto aos vinhos reconhecidamente bons, o que vale é ficar atento à safra – é mais importante saber se o ano em que o vinho foi fabricado teve uma boa safra do que sua idade.
  • Preço (também) não significa qualidade
    Nunca escolha um vinho só pelo valor estampado na etiqueta. Para vinhos, a relação qualidade e preço nem sempre é válida. Para os leigos, é mais razoável pedir um vinho mais barato – um argentino, um chileno ou um bom nacional – do que tentar impressionar os outros pelo desfalque em sua conta bancária.
  • Mexer o vinho não é frescura
    Você já deve ter visto as pessoas mexerem a taça com o vinho antes de bebê-la – esse, também, não é um ritual injustificado. Ao sacudi-la em movimentos circulares, você está ajudando a oxigenar a bebida, deixando-a com o aroma mais apurado. O macete, porém, deve ser usado de forma criteriosa. Se a garrafa do vinho já estiver aberta em cima da mesa, ele torna-se desnecessário.

Autor: Beto Gerosa

Edição: Renan Ricci (midiaweb@kaueplussize.com.br)

Fonte: vinho.ig.com.br

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